
Vale a pena fazer guerra EUA faturam 13 bilhões
Sim, o número de cerca de US$ 13 bilhões é real, segundo cálculos do *Financial Times* e declarações do próprio governo Trump em julho de 2026. Depois da operação militar americana de janeiro de 2026 que resultou na captura de Nicolás Maduro, os Estados Unidos assumiram o controle das exportações de petróleo venezuelano e centralizaram as receitas em contas sob supervisão americana. Trump afirmou publicamente que o valor “pagou a guerra muitas vezes” e que os EUA estavam “ganhando muito dinheiro”.
A crítica ao governo americano
O episódio expõe de forma clara a lógica de poder e interesse econômico por trás de uma intervenção militar. Remover um ditador autoritário e corrupto como Maduro pode ser apresentado como defesa da democracia ou dos direitos humanos. Porém, quando a mesma operação é seguida imediatamente pelo controle direto das receitas petrolíferas do país — e quando a maior parte desses bilhões permanece em contas americanas com pouca transparência — o argumento moral se enfraquece.
O governo americano arrecadou mais de US$ 13 bilhões em poucos meses. Até abril de 2026, autoridades admitiram ter transferido cerca de US$ 3 bilhões para a Venezuela (salários e infraestrutura). O restante ficou sob custódia americana, com auditoria da KPMG e exigências de relatórios que, segundo congressistas de ambos os partidos, não foram plenamente cumpridos. Enquanto isso, a Venezuela sofreu terremotos devastadores e continua em crise humanitária profunda. A recuperação econômica esperada com o fim parcial das sanções não se materializou na velocidade que os números do petróleo sugeririam — o que reforça a suspeita de que uma parcela significativa da receita não está sendo devolvida ao país.
Isso não é novidade na história americana. Intervenções no Oriente Médio, América Latina e em outras regiões frequentemente combinaram justificativas de segurança ou valores democráticos com o controle de recursos estratégicos. No caso venezuelano, o petróleo pesado é um ativo geopolítico importante: reduz dependência de outras fontes, fortalece a posição americana no mercado energético e gera receita direta. Quando o presidente afirma que a operação “se pagou” com o petróleo, a mensagem é explícita: a guerra (ou a operação de força) foi, também, um negócio.
A falta de transparência agrava o problema. Fundos de um país soberano sob controle externo, com informação limitada sobre o destino do dinheiro, abrem espaço para críticas legítimas de neocolonialismo e de uso de poder militar para extrair valor econômico. Mesmo que parte dos recursos esteja sendo usada para “rodar o país” ou para infraestrutura petrolífera, a opacidade e o discurso de lucro americano transformam o episódio em símbolo de realismo cínico.
O outro lado do quadro
Maduro presidiu um regime autoritário, com eleições questionadas, repressão a opositores, hiperinflação e êxodo de milhões de venezuelanos. As sanções americanas anteriores também contribuíram para o colapso econômico. Remover esse governo abriu espaço para uma transição, ainda que sob forte influência externa. O controle das receitas pode, em tese, evitar que o dinheiro volte a financiar corrupção ou redes de poder do antigo regime. Mas a forma como foi feito — com ênfase no “lucro” americano e pouca prestação de contas — enfraquece qualquer pretensão de altruísmo.
Em resumo: arrecadar US$ 13 bilhões com o petróleo de um país recém-intervenído e celebrar que a operação “se pagou” é uma demonstração de pragmatismo bruto. Vale a pena? Do ponto de vista do interesse estratégico e financeiro americano de curto prazo, aparentemente sim. Do ponto de vista da soberania, da transparência e da legitimidade internacional, a operação reforça a imagem de que, para Washington, o petróleo continua sendo um motivo poderoso demais para ser tratado apenas como detalhe secundário.