
Quatro pobres inocentes
O governo Lula e a roubalheira sem fim: agora é a vez do canabidiol de R$ 626 milhões
Enquanto o presidente Lula da Silva discursa sobre “combate à corrupção” e “defesa dos mais pobres”, a Polícia Federal desvenda mais um capítulo da farra que gira em torno do Planalto. Desta vez, o alvo era o Ministério da Saúde. O negócio: até R$ 626 milhões em medicamentos à base de canabidiol — substância da maconha — sem licitação, com a intermediação de Lulinha, o filho do presidente, do lobista “Careca do INSS” e de Marcola, então chefe do Gabinete Pessoal da Presidência.
Segundo a minuta do contrato obtida pela PF e revelada pelo jornal *O Globo*, o plano previa o fornecimento de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de remédios. A operação seria enquadrada como “emergência” para escapar da licitação, aproveitando a Nova Lei de Licitações. O esquema foi montado pela equipe do “Careca do INSS”, o mesmo que aparece no centro do assalto bilionário a mais de 9 milhões de aposentados e pensionistas. A lobista Roberta Luchsinger foi contratada para viabilizar a compra. Lulinha entrou como intermediário. E a minuta chegou ao celular de Marcola.
Marcola, em depoimento, reconheceu ter recebido o arquivo, classificou o ato como “inadequado” e jurou que não deu andamento. O Ministério da Saúde, em nota oficial, afirma que nada aconteceu, que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que a pasta nunca comprou nem debateu a oferta. Tudo muito conveniente. O problema não é só o que se concretizou. É o que se tentou.
Quando o filho do presidente, um lobista preso por desviar dinheiro de aposentados e o chefe de gabinete pessoal do presidente aparecem juntos em mensagens e documentos sobre um contrato milionário sem concorrência, não se trata de “coincidência” ou “excesso de zelo”. Trata-se de tráfico de influência em estado puro. O padrão é conhecido: aproveitar o poder do Estado para abrir portas, criar “emergências” e faturar alto enquanto o discurso oficial fala em moralidade e justiça social.
Essa não é uma denúncia isolada. É mais um episódio na sequência de escândalos que marcam o atual governo: o saque aos aposentados via INSS, as investigações envolvendo aliados e agora a tentativa de transformar o Ministério da Saúde em balcão de negócios familiares e lobistas. Enquanto isso, o governo continua a vender a narrativa de que qualquer crítica é “golpista” ou “fake news”.
A verdade é mais simples e mais feia. Quando o poder concentra-se demais e a fiscalização é tratada como incômodo, a roubalheira deixa de ser exceção e vira método. Lulinha, Careca, Marcola e a lobista não inventaram a corrupção no Brasil. Mas o ambiente criado por este governo — de impunidade seletiva, de defesa automática dos seus e de desprezo pelas regras — tornou o terreno fértil para esse tipo de esquema.
O negócio do canabidiol não foi adiante porque o escândalo do INSS estourou antes. Foi sorte, não virtude. A pergunta que fica é quantos outros contratos, minutas e “emergências” ainda estão nos celulares de lobistas e intermediários bem relacionados. E quantos vão ser descobertos só depois que o dinheiro público já tiver sumido.
O povo brasileiro não precisa de mais discursos. Precisa de investigação séria, punição efetiva e um mínimo de vergonha na cara de quem ocupa o poder. Até lá, a roubalheira continua.