
Quase 400 mil nas ruas: quando a política social precisa prestar contas
O Brasil que o governo Lula diz estar reconstruindo tem uma contradição difícil de esconder: enquanto Brasília celebra programas sociais e anuncia bilhões para combater a pobreza, o número de brasileiros registrados em situação de rua praticamente dobrou desde o fim de 2022. Em junho de 2026, eram 392,4 mil pessoas no Cadastro Único, contra 198,7 mil em dezembro de 2022.
Não é apenas um número. É um sinal de que alguma coisa está profundamente errada na rede de proteção social brasileira.
É verdade que o CadÚnico não é um censo e que a ampliação do cadastramento pode ter elevado os registros. Essa ressalva precisa ser feita. Mas ela não pode servir como cortina de fumaça para uma realidade que continua diante dos olhos de todos: há cada vez mais brasileiros identificados pelo próprio Estado como vivendo no limite absoluto da vulnerabilidade.
E é aqui que começa a cobrança política.
Se o governo afirma que ampliou a proteção social, por que a população registrada nessa condição continua crescendo? Se o cadastramento melhorou, quantos dos novos registros correspondem a pessoas que já viviam nas ruas e quantos representam pessoas que chegaram a essa situação recentemente? E, principalmente: quantas conseguiram sair?
O governo pode explicar o crescimento da estatística. O que não pode é permitir que a explicação da estatística substitua a solução do problema.
Porque há uma diferença brutal entre enxergar mais pobres e conseguir tirar mais pobres da pobreza.
E quase 400 mil brasileiros registrados em situação de rua tornam essa diferença impossível de ignorar.
**Dobra o número de pessoas em situação de rua no governo Lula: quase 400 mil**
Se as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma cidade, ela já seria maior do que Vitória, Palmas ou Rio Branco. Em junho de 2026, o Cadastro Único registrava 392,4 mil pessoas nessa condição. Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil. Em pouco mais de três anos e meio de governo Lula, a legião de miseráveis nas ruas quase dobrou.
Desde 2015, quando o CadÚnico apontava 52,4 mil, o salto chega a 597%. Enquanto isso, a população brasileira crescia em média 0,4% ao ano. A miséria nas calçadas avançou num ritmo que nenhuma “melhoria de cadastramento” consegue esconder.
O ritmo é ainda mais cruel quando se olha o detalhe mensal. Desde janeiro de 2023, a média de novos moradores de rua subiu para 4,6 mil por mês. Entre 2019 e 2022, era de 2 mil. A aceleração coincidiu com a volta do PT ao Planalto. Não se trata de coincidência estatística. É resultado.
O governo insiste na narrativa conveniente: a alta seria apenas “melhoria do cadastramento”. Se fosse só subnotificação corrigida, a curva teria se estabilizado depois da correção. Não estabilizou. Continuou subindo. Em flecha.
Os próprios censos municipais desmentem a tese oficial. No Rio de Janeiro, a prefeitura contou 8.195 pessoas em situação de rua em 2024. O cadastro federal apontava 23 mil. Em São Paulo, o censo de 2021 falava em 31,9 mil famílias; no CadÚnico, o número passou dos 104 mil. Ou o governo federal infla o número para justificar programas, ou as prefeituras subcontam de forma grosseira. Em ambos os casos, a realidade nas ruas é de abandono.
Quase 400 mil brasileiros dormindo sob marquises, viadutos e praças não é “legado de gestões anteriores”. É o retrato de um governo que multiplica o discurso da “inclusão” enquanto multiplica a exclusão concreta. O Cadastro Único não mente: a miséria visível cresceu mais rápido do que a população e mais rápido do que qualquer justificativa burocrática.
Enquanto o Palácio do Planalto celebra números de emprego e renda selecionados, as calçadas contam outra história. E essa história tem nome, sobrenome e endereço: governo Lula.