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EM BREVE         



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O objetivo dos socialistas é o socialismo — não a
O objetivo dos socialistas é o socialismo — não a

O objetivo dos socialistas é o socialismo — não a prosperidade.

 Com a persistente influência de ideias socialistas no Brasil — seja no discurso de setores do PT, PSOL, PCdoB ou de movimentos que se apresentam como “progressistas” —, ele se tornou ainda mais importante para descrever os verdadeiros objetivos dos socialistas. Os socialistas não estão buscando meios alternativos para melhor servir seus concidadãos brasileiros. Em vez disso, estão promovendo uma ideologia que, em muitos casos, aceita (e às vezes celebra) o empobrecimento de setores produtivos e da classe média como preço a ser pago pela “transformação” da sociedade.

Esqueçam a retórica sobre “inclusão”, “justiça social” e “direitos”. A onda de propostas e ações que se dizem socialistas ou de esquerda radical no Brasil visa estabelecer o socialismo (ou algo o mais próximo possível dele) como sistema dominante na economia política. Não se trata de cumprir promessas de prosperidade, mas de impor um regime de controle estatal e ideológico — e esse regime é um fim em si mesmo.

Há décadas, muitos economistas e analistas entraram no serviço público ou em órgãos de planejamento acreditando que bastaria aplicar conhecimento técnico para corrigir distorções. Afinal, decisão após decisão de órgãos reguladores, estatais e ministérios gerava resultados absurdos, caros e contraproducentes. Certamente alguém com formação em economia conseguiria mostrar o quão dispendiosas e ridículas eram certas medidas.

O governo serve aos interesses do governo.

Em determinado momento, fica claro que o cenário da burocracia brasileira é bem diferente da sala de aula ou do livro-texto. Órgãos reguladores, estatais, políticos e os próprios setores regulados (quando capturados) não buscam o conjunto “ideal” de políticas que minimize custos e maximize bem-estar. Eles agem para minimizar seus próprios custos políticos e maximizar seu poder e sua permanência.

Como muitos já observaram sobre a realidade brasileira: em vez de presumir que os formuladores de política realmente pretendiam reduzir a pobreza e aumentar a produtividade, mas apenas “erraram o cálculo”, é mais realista presumir que eles não estavam tentando minimizar os custos que preocupam o cidadão comum. Estavam tentando minimizar seus próprios custos — de poder, de prestígio, de clientela e de sobrevivência política.

Quanto mais se examina a situação, mais se percebe que todos os atores do sistema — políticos, burocratas, sindicatos de estatais, grupos de interesse e parte do empresariado dependente do Estado — agem em benefício próprio. A combinação desses interesses gera resultados perversos. A visão de quem está de fora (o cidadão que paga impostos e sofre com inflação, desemprego e serviços ruins) é irrelevante para o que realmente acontece.

Longe dos objetivos declarados — “interesse público”, “redução da desigualdade”, “desenvolvimento nacional” —, o verdadeiro propósito de grande parte do aparato estatal-intervencionista é a promoção e a preservação desse próprio aparato. O sistema existe para se preservar e se proteger.

 Os socialistas estão interessados no controle, não na prosperidade econômica

Ao observar discussões sobre socialismo no Brasil — em redes sociais, na imprensa e no discurso político —, algumas conclusões se impõem. Os socialistas permanecem socialistas mesmo diante do fracasso histórico das economias socialistas e das crises recorrentes geradas por políticas de forte intervenção estatal no país. O meme “se os socialistas entendessem de economia, não seriam socialistas” pode conter uma verdade parcial, mas o ponto central é outro: o propósito de estabelecer o socialismo é promover ainda mais o socialismo, não melhorar de forma sustentada a condição da sociedade e certamente não promover a prosperidade generalizada.

A mentalidade socialista funciona de maneira diferente da do economista que enxerga a economia como combinação de fatores de produção, preços, empreendedores e coordenação espontânea. Economistas se fascinam com a engenhosidade humana e com a elevação do padrão de vida quando o sistema de propriedade privada e mercados funciona. Socialistas, porém, veem sobretudo caos e resultados desiguais. Nem todos se beneficiam na mesma medida; alguém perde o emprego; uma tecnologia torna outra obsoleta. Na visão orgânica e igualitarista, o fato de ações empreendedoras criarem bens e serviços que atendem necessidades de milhões é secundário. A sociedade “deveria” fornecer esses bens de forma “justa” e, preferencialmente, controlada pelo Estado.

Você é um empresário que enriqueceu gerando empregos e produtos que as pessoas escolhem comprar? Você explorou. Você é um médico que ganha bem porque salva vidas e as pessoas estão dispostas a pagar por isso? Você se beneficia da “mercantilização” da saúde. E os pobres? Eles não têm o mesmo acesso!

Quando se começa a escrever sobre economia, muitos ainda acreditam que basta um argumento bem fundamentado para convencer o socialista a abandonar a fé. Explicar que empresários não lucram explorando trabalhadores, mas melhorando a vida deles ao direcionar recursos para usos de maior valor; mostrar como o sistema de preços produz resultados moralmente defensáveis ao satisfazer preferências dos consumidores. Os argumentos continuam válidos e, com o tempo, tornam-se ainda mais claros (não é à toa que *Economia em Uma Lição*, de Hazlitt, permanece tão relevante).

O objetivo final da atividade econômica deveria ser a melhoria da vida das pessoas de forma não predatória, por meio da cooperação voluntária. A economia é um meio; o fim é a elevação do padrão de vida de pessoas livres.

Um socialista não vê — e não verá — as coisas dessa maneira. O objetivo do socialismo não é, em última instância, um padrão de vida mais elevado ou sequer a melhoria real e sustentada da vida dos pobres, por mais que se fale nisso. O objetivo é o próprio socialismo, ou o ideal do socialismo. Uma vez estabelecido (ou aproximado) o controle político e ideológico sobre a economia, o ideal social terá sido alcançado, independentemente do resultado concreto em termos de renda, produtividade ou liberdade.

E os problemas concretos?

Os socialistas brasileiros se abalam com o colapso venezuelano, com a estagnação cubana ou com os desastres históricos da URSS e do Leste Europeu? Em geral, não. A resposta típica é que “não era socialismo de verdade”, que faltou mais controle popular, que a culpa é do embargo, do imperialismo ou da “burguesia”. A mesma lógica aparece quando se discute os resultados de políticas fortemente intervencionistas no Brasil: se deu errado, é porque “não se foi longe o suficiente” ou porque “o mercado sabotou”.

O autor que defende que a Venezuela sofre de “falta de socialismo” (e não de excesso) parte do pressuposto de que o socialismo pode ser separado do Estado e da burocracia — o que revela ingenuidade ou desonestidade. O mesmo tipo de raciocínio aparece no Brasil quando se atribui todo fracasso à “corrupção” ou à “direita”, nunca à lógica do controle político sobre a alocação de recursos.

Mesmo quando economistas socialistas ou simpatizantes reconheceram, em certos momentos, que o capitalismo organiza melhor a produção de bens materiais, a conclusão raramente foi a rejeição do socialismo. Foi, em geral, a busca de novas estratégias — ambientalismo, identidade, “democracia radical”, controle via regulação e tributação — para obter o controle social (leia-se, estatal) dos recursos e dos resultados econômicos. O problema do cálculo econômico identificado por Mises e Hayek não desaparece só porque o Estado não nacionaliza formalmente todas as empresas ou não faz planos quinquenais explícitos. Ele reaparece na forma de preços distorcidos, desperdício, privilégios e estagnação.

Isso não significa que se deva parar de escrever e falar sobre os fracassos do socialismo e sobre o funcionamento de uma ordem de propriedade privada e mercados. Primeiro, nunca se é instruído demais em análise econômica. Os socialistas podem não abandonar a fé, mas outros — especialmente os mais jovens e os que ainda não se converteram — podem ouvir argumentos fundamentados e recusar-se a entrar na Igreja do Socialismo.

Em segundo lugar, não há nada de errado em dizer a verdade. O fato de socialistas e seus seguidores serem avessos a reconhecer o fracasso histórico e lógico do sistema não lhes confere superioridade moral ou intelectual. O simples fato de se recusarem a acreditar que o socialismo fracassou — mesmo quando as evidências apontam em contrário — não muda a realidade.

No Brasil, como em qualquer outro lugar, o objetivo declarado de “prosperidade para todos” frequentemente mascara o objetivo real: a consolidação e a expansão do controle político e ideológico. E controle, por si só, não produz prosperidade.

Purifique se de todos os preconceitos que te amontoaram em tua mente; despojado das tuas ideias enganadoras, de suas raízes, malignas.