
Lula não governa para o povo. Governa para os banqueiros. E o faz sem disfarce.
No projeto de orçamento para 2027, o governo cortou o Bolsa Família, congelou o valor por família e criou travas para impedir o reajuste dos servidores públicos. Ao mesmo tempo, autorizou um corte de até R$ 16,6 bilhões em saúde e educação. Saúde e educação dos pobres sendo sangradas para garantir superávit e acalmar o mercado financeiro. Essa é a prioridade real deste governo.
O reajuste do Bolsa Família anunciado há poucos dias, depois de três anos de congelamento, é pura demagogia eleitoreira. Um gesto desesperado para tentar conter a queda de popularidade diante do avanço de Flávio Bolsonaro. Não muda a orientação. É cosmético. A política continua a mesma: enxugar o Estado, cortar direitos e entregar o que sobra aos interesses do capital financeiro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, consulta abertamente economistas neoliberais dos tempos de FHC — Pedro Malan, Armínio Fraga e demais operadores do grande capital. A meta é explícita: superávits primários crescentes a partir de 2027, manutenção do arcabouço fiscal e redução de despesas obrigatórias. Técnicos do governo estudam conter os reajustes de aposentadorias e pensões. Ou seja: o ajuste fiscal segue, e quem paga é a classe trabalhadora.
Enquanto isso, a privatização avança a todo vapor. Trechos da Régis Bittencourt, ferrovias federais e outras infraestruturas estratégicas seguem para a iniciativa privada. Os Correios estão na mira de parcerias privadas; em julho o governo já entregou a antiga sede da empresa no Rio de Janeiro. Em 2023 Lula chegou a tirar estatais do programa de desestatização. A partir de 2024, sob pressão da frente ampla e do centrão, recolocou dezenas de obras — ferrovias, rodovias, hidrovias, acessos portuários e pelo menos 13 aeroportos. A promessa de 2022 de reverter o que veio depois de 2016 foi jogada no lixo.
No programa para um possível novo mandato, o PT retirou bandeiras históricas: reforma agrária, combate às privatizações e tarifa zero no transporte. O discurso mudou. O governo eleito pela mobilização dos trabalhadores opera como uma social-democracia liberal europeia: neoliberal na economia e repressivo na política.
A mesma lógica se repete no campo dos direitos. Em nome da “democracia” e de agendas identitárias, o aparato estatal intensifica censura, perseguição judicial, multas e prisões contra quem confronta o status quo. Lula, o PT e a maior parte da esquerda institucional apoiam essas medidas sem pudor. A base popular que elegeu o governo é tratada com desconfiança e desprezo quando se afasta do roteiro oficial.
O resultado de quatro anos é claro e vergonhoso: um governo eleito pelos trabalhadores que entregou a política econômica aos banqueiros e a política de direitos ao controle estatal. Atado à orientação do establishment internacional, esse campo político voltou-se abertamente contra a própria base.
Agora, diante de uma derrota eleitoral cada vez mais concreta, a reação é a de sempre: culpar o povo pela “ignorância” de preferir Flávio Bolsonaro. A verdade é outra. O candidato da direita colhe os frutos de se apresentar como oposição a um governo que traiu suas promessas sociais e econômicas de forma sistemática e deliberada.
Se Lula perder, a responsabilidade principal não será do bolsonarismo nem do eleitorado. Será dele, do PT e da esquerda que preferiu governar para o mercado financeiro em vez de cumprir o mandato que recebeu dos trabalhadores. A derrota, se vier, será merecida.