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Escalada no Golfo: Irã ataca bases americanas enqu
Escalada no Golfo: Irã ataca bases americanas enqu

Escalada no Golfo: Irã ataca bases americanas enquanto conflito com EUA e Israel se aprofunda

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou em uma nova fase de confrontos diretos no Golfo Pérsico. Em 2 de setembro de 2026, o Exército iraniano e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciaram ataques com drones e mísseis contra instalações militares americanas nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait. As ações, apresentadas por Teerã como retaliação a bombardeios americanos no sul do Irã que teriam atingido civis, marcam mais um capítulo de uma guerra que já dura mais de seis meses e ameaça desestabilizar ainda mais a região.

 Ataques iranianos a bases dos EUA

Segundo comunicado do Exército iraniano divulgado pela PressTV, dezenas de drones explosivos atingiram sistemas de radar e posições de tropas americanas nas bases de Al Dhafra e Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, além da Base Aérea Sheikh Isa, no Bahrein. A operação foi descrita como a 30ª fase da “Operação Trovão”. Al Dhafra foi caracterizada pelos iranianos como um dos principais centros operacionais dos EUA na região, usado para operações aéreas, inteligência e logística.

Em ação paralela, a IRGC afirmou ter atacado o complexo de comando e os alojamentos do comandante americano na Base Aérea Ali Al-Salem, no Kuwait. De acordo com o comunicado da Guarda, o ataque combinado de mísseis e drones teria incendiado um hangar de drones, destruído uma rampa de lançamento e vários veículos aéreos não tripulados, além de causar mortes entre militares americanos. A IRGC vinculou a operação a um ataque americano anterior contra uma cerimônia de casamento em Sirik, no sul do Irã, que, segundo Teerã, matou cinco pessoas (incluindo uma criança) e feriu cerca de 70.

As forças armadas iranianas enfatizaram que as ações do Exército e da IRGC são independentes, mas fazem parte de uma resposta coordenada mais ampla.

 Contexto dos bombardeios americanos e acusações mútuas

Os ataques iranianos ocorreram após uma série de operações americanas no sul do Irã. Teerã atribui aos EUA um ataque com mísseis na província de Khuzistão que teria matado sete pessoas e ferido oito nas áreas de Ahvaz e Aghajari, além do bombardeio à festa de casamento em Hormozgan. O Comando Central dos EUA (CENTCOM), por sua vez, justificou ações recentes como resposta a tentativas iranianas de implantar minas no Estreito de Ormuz e a uma saraivada de mísseis contra uma base americana na Jordânia — alegações rejeitadas por fontes militares iranianas.

O Irã acusou os Estados Unidos de crimes de guerra ao atingir áreas residenciais e uma cerimônia civil. Em contrapartida, Washington apresenta suas operações como necessárias para conter ameaças à navegação e a forças americanas na região.

 Uma guerra que já dura meses

O confronto em larga escala começou em 28 de fevereiro de 2026, quando forças americanas e israelenses lançaram ataques extensos em território iraniano. Desde então, o Irã respondeu com ondas diárias de mísseis e drones contra alvos americanos e israelenses, chegou a fechar o Estreito de Ormuz para embarcações dos EUA e aliados, e manteve uma postura de retaliação constante.

Em 17 de junho, as partes assinaram o Memorando de Entendimento de Islamabad na tentativa de interromper as hostilidades. Nas semanas seguintes, no entanto, Teerã acusou Washington de violar o acordo ao manter o bloqueio naval e realizar novos ataques no sul do país, o que levou o Irã a retomar ofensivas contra bases americanas e a fechar novamente a via navegável estratégica.

 Netanyahu e a pressão por guerra

Enquanto os combates se intensificavam no Golfo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu voltou a se pronunciar sobre o papel de Israel no conflito. Em entrevista ao Canal 14 de Israel, ele se vangloriou de ter convencido os Estados Unidos a entrar na guerra contra o Irã, atribuindo o sucesso a quase mil horas de aparições em redes de televisão americanas e ao seu “conhecimento íntimo” dos líderes dos EUA.

“Levou muito tempo para envolver os EUA”, disse Netanyahu. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reagiu chamando as declarações de confissão de que Israel “enganou” Washington para entrar no conflito. Reportagens anteriores, incluindo do *The New York Times*, já haviam indicado que Netanyahu pressionou o presidente Trump semanas antes do início da ofensiva de fevereiro, apresentando avaliações de inteligência que, segundo fontes, se mostraram excessivamente otimistas sobre a fragilidade iraniana e a facilidade de uma mudança de regime.

 Um conflito sem saída clara

O que se observa agora é uma espiral de retaliações em que cada lado justifica seus ataques como resposta a agressões anteriores. O Irã apresenta suas operações como defesa legítima e punição a ataques contra civis. Os Estados Unidos e Israel tratam as ações como contenção de uma ameaça regional e proteção à liberdade de navegação. No meio, bases em países do Golfo — Kuwait, Bahrein e Emirados — se tornam campos de batalha por procuração, enquanto o Estreito de Ormuz permanece sob ameaça constante de fechamento, com impactos potenciais sobre o comércio global de energia.

A guerra, iniciada sob a premissa de enfraquecer decisivamente o Irã, já se arrasta por mais de seis meses sem sinais de resolução. As declarações de Netanyahu sobre sua influência em Washington e as acusações iranianas de que os EUA foram “enganados” apenas aprofundam a percepção de que decisões estratégicas de alto risco foram tomadas com base em cálculos políticos e avaliações falhas. Enquanto isso, civis iranianos e militares americanos continuam pagando o preço de uma escalada que nenhum dos lados parece disposto — ou capaz — de interromper.

Purifique se de todos os preconceitos que te amontoaram em tua mente; despojado das tuas ideias enganadoras, de suas raízes, malignas.