
Enquanto o brasileiro comum luta para fechar as contas no fim do mês, a Câmara dos Deputados transforma o dinheiro público em um banquete permanente. Só neste ano, o pagador de impostos já desembolsou mais de R$ 584 milhões para sustentar os gabinetes dos 513 deputados. E o calendário ainda tem meses pela frente.
O grosso da farra vem de duas fontes generosas: a verba de gabinete e o famoso “cotão” (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar). A primeira sozinha já consumiu R$ 448,3 milhões. Cada parlamentar pode gastar até R$ 165.806,07 por mês só para pagar salários de assessores. E não são salários modestos: o teto permitido chega a R$ 25.958,90 por contratado — valor que faz inveja a boa parte dos profissionais qualificados do setor privado. Como a escolha é livre e sem concurso, o que se vê na prática é um verdadeiro exército de “aspones” espalhados entre Brasília e as bases eleitorais, alimentando a máquina política com o suor alheio.
O cotão acrescenta outros R$ 133,3 milhões à conta. Nessa cesta entra de tudo: passagens aéreas, telefone, combustível, alimentação e uma infinidade de despesas que, em tese, deveriam servir à atividade parlamentar. Na prática, servem à manutenção do status e da influência. Para completar o absurdo, a Câmara ainda bancou R$ 2,4 milhões em auxílio-moradia — benefício pago a quem já recebe salário de R$ 46,3 mil mensais.
O resultado é uma matemática cruel: mais de meio bilhão de reais escoando para o sustento de uma elite política que, em grande parte, trata o Erário como extensão do próprio bolso. Não se trata de questionar a existência de estrutura mínima de trabalho. Trata-se de denunciar o excesso escancarado, a ausência de controle real e a desconexão total com a realidade de um país que sobra em impostos e falta em serviços.
Enquanto hospitais lotam, escolas desmoronam e o desemprego continua a espreitar milhões de famílias, os deputados seguem com a caneta livre para contratar, viajar e se hospedar às custas do contribuinte. O ano mal avançou e a conta já ultrapassa R$ 584 milhões. Quando dezembro chegar, quantos milhões a mais terão sido engolidos? A pergunta é retórica. A resposta, como sempre, sai do bolso de quem trabalha.