Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese
Partilhe esta Página

EM BREVE         



Total de visitas: 2281
A Era da Ladroagem
A Era da Ladroagem

A Era da Ladroagem

Entre a fundação em 1980 e o fim do século 20, o Partido dos Trabalhadores projetou-se como o partido da ética e da honestidade.** A retórica era de pureza moral, de “mocinhos” contra o sistema. Na prática, assim que os primeiros prefeitos petistas assumiram o poder, as rachaduras apareceram. Casos locais de desvios, superfaturamentos e esquemas de propina mostraram que a distância entre discurso e realidade era grande. Quando Lula venceu em 2002, o partido chegou ao governo federal com a estrutura pronta para transformar práticas municipais e estaduais em operação de escala nacional.

O PT não inventou a corrupção brasileira. Ela existe desde a Colônia e atravessou a República em todas as cores partidárias. O que o partido fez, de forma sistemática, foi institucionalizar o caixa 2, a compra de apoio parlamentar e o uso de estatais como fonte de financiamento político e enriquecimento ilícito, tudo sob o manto da “governabilidade” e da “inclusão social”. O resultado foi uma sucessão de escândalos que marcou o primeiro quarto do século 21.

 O Mensalão e a compra de votos
Em 2005, o então deputado Roberto Jefferson denunciou o esquema que ficou conhecido como Mensalão: pagamento regular a parlamentares da base aliada para garantir apoio ao governo. O dinheiro vinha de desvios em contratos públicos, empréstimos fraudulentos e caixa 2. José Dirceu, então ministro da Casa Civil, foi apontado como o coordenador político do esquema. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Marcos Valério, o operador financeiro, também foram condenados. Lula afirmou que se sentiu “traído” e que não sabia de nada. A Câmara cassou mandatos, o STF condenou 24 réus, mas anos depois a maioria já estava em liberdade.

Antes mesmo do Mensalão, o caso Waldomiro Diniz (2004) já mostrava o método: o assessor de Dirceu era filmado pedindo propina a Carlinhos Cachoeira em troca de favores em loterias. O vídeo, gravado em 2002, só veio a público depois.

 A Lava Jato e o Petrolão
A Operação Lava Jato, deflagrada em 2014, revelou o maior esquema de corrupção já investigado no país. Empreiteiras formavam cartel, superfaturavam contratos com a Petrobras e pagavam propinas bilionárias a políticos, partidos e executivos. O PT teve papel central na distribuição de cargos e no recebimento de recursos. Lula foi condenado em primeira e segunda instâncias nos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, acusado de receber vantagens disfarçadas de reformas e imóveis. Cumpriu 580 dias de prisão.

Em 2021, o STF anulou as condenações por questões de competência territorial e parcialidade do juiz Sérgio Moro. Os processos foram remetidos a Brasília e acabaram prescritos ou arquivados. Lula recuperou os direitos políticos e voltou à Presidência em 2023. A anulação foi processual, não de mérito. A operação recuperou bilhões, mas também gerou controvérsias sobre excessos e seletividade.

 Outros capítulos
- 2006: Escândalo dos Aloprados — assessores petistas presos com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo destinado a comprar um dossiê contra adversários.
- 2006–2011: Quedas sucessivas de ministros sob Dilma (Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Orlando Silva e outros) por irregularidades, propinas e superfaturamento.
- Bancoop, cartões corporativos, Refinaria Abreu e Lima, caso Erenice Guerra — todos revelando o mesmo padrão de desvio e tráfico de influência.
- Pedaladas fiscais: manobra contábil que ajudou a justificar o impeachment de Dilma em 2016.

 O retorno ao poder e a continuidade
Com Lula de volta em 2023, o aparelhamento de estatais e órgãos públicos voltou à pauta. Em 2025, a fraude no INSS — descontos indevidos em aposentadorias e pensões estimados em R$ 6,3 bilhões — colocou sob investigação o sindicato que tem como vice-presidente o irmão de Lula, Frei Chico. O filho do presidente, Fábio Luís (“Lulinha”), passou a ser investigado por tráfico de influência e possíveis ligações com intermediários do esquema. O Banco Master, liquidado em meio a suspeitas de irregularidades e pagamentos a políticos de vários partidos, atingiu aliados próximos do governo, incluindo o líder do PT no Senado, Jaques Wagner.

 A marca da impunidade
O traço mais grave da corrupção brasileira não é só o roubo. É a impunidade seletiva. Condenados a dezenas ou centenas de anos (como Sérgio Cabral, do MDB) acabam em liberdade. Processos são anulados por vícios processuais. Delações são desacreditadas. O STF, que deveria ser a última trincheira da legalidade, tornou-se, em vários episódios, o instrumento que devolveu o direito de ir e vir a protagonistas de grandes esquemas.

O PT não detém o monopólio da corrupção. Outros partidos e governos também acumularam seus próprios escândalos. Mas o partido que chegou ao poder prometendo moralidade transformou a máquina pública em instrumento de financiamento político e enriquecimento de aliados em escala industrial. A “Era da Ladroagem” não é exclusividade petista — é a expressão mais visível de um sistema em que o poder, qualquer que seja o partido, continua a corromper. Enquanto a impunidade for a regra e a responsabilização a exceção, o ciclo se repete.

Purifique se de todos os preconceitos que te amontoaram em tua mente; despojado das tuas ideias enganadoras, de suas raízes, malignas.